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NOTÍCIAS
Principais
assuntos tratados no Congresso Mundial da
Retina Internacional – Finlândia 2008.
Estamos vivendo tempos de muita
esperança. São muitos os testes clínicos em
andamento visando tratar e curar as doenças degenerativas
da retina. Os grandes avanços na genética e na terapia
celular nos aproximam cada vez mais de nossos desejos: chegar ao
tratamento da retinose pigmentar, da doença de stargardt,
da síndrome de usher, da amaurose congênita de leber
e da degeneração macular seca e exudativa, entre outras
degenerações retinianas.
Os testes clínicos que
estão sendo feitos com pessoas, envolvem 3 fases: a primeira
testa a segurança do medicamento ou da terapia e cobre um
pequeno grupo de pacientes; a segunda fase testa segurança
e eficácia e tem lugar em vários centros de pesquisa,
envolvendo muitos pacientes. A fase 3 já se dá com
maior nível de segurança e eficácia e busca
ter resultados numéricos maiores e em geral cobre vários
paises. As informações sobre testes clínicos
nos Estados Unidos estão na página www.clinicaltrials.gov.
Entre os testes clínicos em andamento
para as doenças degenerativas da retina destacamos:
. Testes clínicos com a Terapia
da Célula Encapsulada para Retinose Pigmentar e DMRI seca:
Realizados pela empresa Neurotech
nos Estados Unidos, essa terapia consiste na aplicação
de um agente de sobrevivência neuronal, o CNTF(ciliary neurotrophic
factor - células que foram geneticamente transformadas para
produzir o fator terapêutico) que reduziu a degeneração
retiniana causada pela Retinose Pigmentar, em modelos animais e
agora está sendo usado em pacientes com retinose pigmentar.
Uma pequena cápsula de cerca de meio centímetro é
colocada dentro do olho, liberando CNTF gradualmente. Esse fator
produz a sobrevivência dos neurônios das células
fotoreceptoras por um longo período(18 meses). A Neurotech
está testando a segurança e a eficácia dessa
terapia, tendo já concluído a Fase I com pacientes,
encontrando-se na fase II / III em três centros clínicos.
(www.neurotechusa.com/product_tech.asp
).
Estão em andamento 3 testes clínicos
usando os fatores neurotróficos ECT e CNTF:
1) os testes para a Degeneração
Macular Relacionada à Idade (tipo seca) –DMRI SECA
estão na fase II, com 48 pacientes.
2 e 3) os dois testes para a retinose pigmentar,
encontram-se na Fase II, envolvendo 60 pacientes. Um está
trabalhando com pacientes no estágio inicial da doença
e outro com pacientes na fase avançada da doença.
Esse teste clínico não exige controle do genótipo
do paciente. Até o momento não houve efeitos adversos
ligados ao implante da cápsula e aos procedimentos cirúrgicos.
Os testes incluem também um número pequeno de pacientes
com síndrome de Usher e coroideremia. (www.blindness.org/recent
scientific advances)
Teste clínico com o medicamento FENRETINIDE
para DMRI atrófica.
A empresa americana Sirion Therapeutics (www.siriontherapeutics.com)
está na fase II do teste clínico com pacientes com
DMRI atrófica, envolvendo vários centros de pesquisa.
Acredita-se que com o sucesso dessa terapia, ela poderá ser
estendida aos pacientes com DOENÇA DE STARGARDT. (ver mais
informação na pagina da Foundation Fighting Blindness
(www.blindness.org).
Ver também www.clinicaltrials.gov
buscando por "fenretinide AMD" .
Prótese retiniana (olho eletrônico)
existem cerca de 30 grupos de pesquisa nessa área. Há
quatro tipos de implantes sendo pesquisados:
1) a prótese subretiniana (Dr. Alan Chow
em Chicago), que suspendeu os testes, por falta de resultados e
falência da empresa Optobionics, que financiava o teste. Na
Alemanha contudo, 8 pacientes vêm sendo testados pelo dr.
Eberhart Zrenner com a prótese subretiniana, apresentando
bons resultados;
2) a prótese epiretiniana, é
colocada junto ao epitélio pigmentar da retina. A empresa
Second Sight, dos Estados Unidos está na fase II de testes,
com muitos centros de pesquisa;
3) prótese no nervo ótico;
4) prótese no córtex cerebral.
. Medicamentos Antioxidantes
1) Para a Retinose Pigmentar (RP) –
o dr. Theo Van Veen, na Suécia, preparou o medicamento RETINACOMPLEX,
para combater o stress oxidativo que contribui para o agravamento
da degeneração dos fotoreceptores. Foram testados,
com bom resultados, modelos animais com Retinose Pigmentar. Mais
informações podem ser obtidas pela internet
(www.retinacomplex.com).
2) Para a Retinose Pigmentar (RP) - A Foundation
Fighting Blindness (Estados Unidos) vem apoiando pesquisa sobre
suplementos nutritivos com Vitamina A Palmitato combinada ao Acido
Graxo DHA Omega 3 (docosahexanoic acid) na expectativa de que esta
dieta suplementar reduza a perda de visão de pacientes com
RP. Fontes de Omega 3 incluem : salmon, atum, sardinha. Ver www.blindness.org/rp-nutrition/index.asp
Para Degeneração Macular Relacionada à Idade
(DMRI): o estudo AREDS 1, do início da década,
mostrou a eficácia do uso de antioxidantes, zinco, luteina
e zeaxantina para pacientes com DMRI neovascular ou atrofia geográfica.
Na segunda fase, AREDS 2, estão sendo testados a administração
de luteína, zeaxantina e/ou omega 3 (ácidos)
3) e 4.000 pessoas em 82 clínicas durante
5 anos de acompanhamento de pacientes.
4) Para Degeneração Macular Relacionada
à Idade (DMRI) pesquisa financiada pela Foundation Fighting
Blindness na Universidade de Harvard, Estados Unidos mostrou que
uma dieta rica em gordura está associada a uma perda de visão
mais rápida nos casos de DMRI. Por outro lado, dietas envolvendo
consumo de peixes e nozes, ricos em ácidos graxos omega 3
levam à preservação da visão por mais
tempo.
Novos Genes Identificados
Mais de 130 genes foram identificados pelos geneticistas,
com mutações que levam às doenças degenerativas
da retina. A identificação destes genes é um
passo importante para compreender o desenvolvimento dessas doenças
e é fundamental para o desenvolvimento das terapias de reposição
genética e biofarmacêutica. Cientistas ligados à
Foundation Fighting Blindness encontraram variações
em três genes em 74% dos casos de Degeneração
Macular Relacionada à Idade (DMRI). Essa descoberta traz
novas possibilidades de tratamentos efetivos, mostrando o papel
da herança genética na DMRI.
Terapia de Reposição Genética:
1) Para Amaurose Congênita de Leber (gene RPE65) -
estão sendo realizados, em parceria, no Instituto de Oftalmologia
da Universidade da Califórnia (dr. Robin Ali) e no Hospital
Moorfields em Londres, testes clínicos com pacientes ( fase
I). Na pesquisa inglesa, com três jovens com Leber, um paciente
já apresentou melhora na visão na fase I. Os testes
continuam e vão incluir doses maiores da terapia e a inclusão
de crianças no teste clínico. A Foundation Fighting
Blindness dos Estados Unidos está financiando esse estudo
e também o da Universidade da Pensilvânia, que deve
começar brevemente. Essa terapia genética, realizada
com 50 cães cegos devido à Amaurose Congênita
de Leber, teve sucesso, com a melhoria da visão dos animais
e mostrou estabilidade nos resultados (a visão dos cães
não regrediu).
2) Para Amaurose Congênita de Leber de
tipo recessivo (gene RPGRIP) – pesquisadores ligados à
Foundation Fighting Blindness (EU) desenvolveram uma terapia de
reposição genética para recuperar os fotorreceptores
de camundongos com Amaurose Congênita de Leber de tipo recessivo,
resultante de uma mutação no gene RPGRIP. O tratamento
recuperou os fotorreceptores dos animais que tiveram sua função
retiniana normalizada
3) Terapia genética
usando fator neurotrófico para DMRI seca e exudativa. A empresa
GENVEC (www.genvec.com)
está usando um adenovirus modificado como vetor do gene que
carrega o fator derivado do epitélio pigmentar (PEDF), uma
proteína que tem o papel de agente anti-neovascular e fator
de sobrevivência dos neurônios. Os testes clínicos
da Genvec estão em fase I-II para 50 pacientes com DMRI exudativa,
sem ter encontrado efeitos adversos até o momento.
4) Síndrome de Usher 1B – pesquisadores
da Foundation Fighting Blindness estão desenvolvendo uma
terapia para Usher 1B, a forma mais comum de doença que combina
perda de visão e de audição. Um modelo animal
Usher 1B, está sendo tratado na Universidade da Califórnia
em San Diego e em Los Angeles, com a administração
do gene normal Usher 1B no olho do animal. O objetivo é prevenir
a degeneração retiniana colocando uma cópia
do gene USH1B normal nas células da retina, de modo a produzir
uma proteína normal que previna a degeneração
da retina.
5) Síndrome de Usher 3 – na
Universidade da Califórnia em Berkeley, pesquisadores estão
desenvolvendo, através da engenharia genética, um
modelo de camundongo com Usher 3. Esse modelo animal vai permitir
testes clínicos de terapia genética para Usher 3.
6) Doença de Stargardt –
O Instituto de Pesquisa da Neurovisão (National Neurovision
Research Institute, NNRI) , ligado à Foundation Fighting
Blindness nos Estados Unidos estabeleceu parceria com a companhia
de produtos biofarmacêuticos britânica Oxford Biomédica,
para desenvolver a terapia de reposição genética
para tratar a doença de Stargardt e outras doenças
degenerativas causadas por um defeito no gene ABCA4. O objetivo
do projeto StarGen™ é dar início à Fase
I do teste clínico. (www.blindness.org).
7) Coroideremia - pesquisadores da Faculdade
de Medicina do Imperial College de Londres estão investigando
a terapia genética para o tratamento da coroideremia, causada
por uma mutação no gene REP-1. O grupo de pesquisa
está avaliando a segurança e a eficácia de
dois tipos de vetores virais, através da engenharia genética,
para levarem um gene normal à retina de camundongos.
8) Retinosquisis – uma terapia genética
visando o tratamento da retinoschisis ligada ao cromossoma X (XLRS
- X-linked retinoschisis) está sendo pesquisada por cientistas
do Canadá, Alemanha e Estados Unidos. Modelos animais de
camundongos com retinoschisis estão sendo testados com terapia
genética para deter a perda da visão.
Os testes clínicos com
células tronco estão ainda na fase de testes com modelos
animais e os cientistas ainda vêm um espaço de tempo
até que possam haver testes com pessoas. Uma equipe de pesquisadores
de vários países conseguiu restaurar a visão
de camundongos com retinose pigmentar através do transplante
de células fotorreceptoras imaturas. Essas células
transplantadas tornaram-se células retinianas e se integraram
à retina do animal. Pesquisadores da Foundation Fighting
Blindness (www.blindness.org)
usaram células do cordão umbilical e do tecido neural
para restaurar a visão de modelos animais com doenças
degenerativas da retina (camundongos).
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